ANTES DE CONDENARM0S O MENINO DE 15 ANOS QUE VIOLENT0U O PAI …
É preciso considerarmos a nossa cultura de violência. Não, não estou a justificar os seus atos. Mas esta criança vem de uma sociedade onde a violência se tornou normalizada em seus níveis mais altos. É uma cultura da qual o seu próprio pai também pode ter sido vít!ma. Afinal, quando nasceu, o país ainda vivia uma vi0lenta guerra civil.
Quando, a nível mais alto, se sinaliza que a vida humana é dispensável e que os problemas podem ser “resolvidos” por meio de armas, eliminando quem reclama, tornamos a violência extrema uma resposta legítima às queixas.
À medida que nossas crianças crescem nesses ambientes e aprendem, pela aprendizagem social, a adotar estratégias agressivas de resolução de conflitos em momentos de frustração. Muitas vezes culpamos a família ou a mãe que não educou bem. Mas os adolescentes também são influenciados pelo exemplo da sociedade.
Isto não é uma leitura tendenciosa. Estudos em sociedades pós-conflito como Libéria, Serra Leoa e Irlanda do Norte mostram que jovens expostos a assassinatos generalizados têm maior probabilidade de recorrer à violência extrema em suas próprias vidas.
Já levantei esta questão noutro contexto de quatro adolescentes envolvidos em abuso de colegas: estamos a condenar a violência civil quando chancelamos a violência estatal? Se a polícia que mat@ um civil fica livre, porque deve a criança que mat@ o pai ser c0ndenada?
É urgente colocar em prática o Estado de Direito que a Constituição prevê. Igualdade de todos perante a lei, proteger a vida e a dignidade das pessoas. Precisamos parar conflitos alimentares e prevenir novos ciclos de violência.
As nossas crianças estão
assistir e aprender.

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