ÚLTIMA HORA – CRIANÇAS QUE APARECEM A DESTRUIR FOTOS DE CHAPO, GUEBUZA E NYUSI TERIAM SIDO RECOLHIDAS PELAS AUTORIDADES
Um vídeo que circula de forma viral nas redes sociais voltou a acender debates intensos sobre disciplina, liberdade de expressão e instrumentalização de menores no país. Nas imagens, um grupo de crianças é visto a destruir retratos de três figuras marcantes da política moçambicana: António Chipanga “Chapo”, Armando Emílio Guebuza e Filipe Nyusi. O episódio, inicialmente tratado como uma simples travessura, acabou por tomar proporções nacionais após alegações de que as crianças foram recolhidas por autoridades locais para averiguações.
Segundo fontes próximas à comunidade onde o vídeo foi gravado, as crianças foram conduzidas por elementos das estruturas comunitárias, que justificaram a intervenção como uma medida “para proteção e investigação”, temendo que houvesse adultos por detrás da gravação a incentivar o acto. A situação levantou de imediato questões delicadas sobre possíveis motivações políticas, manipulação de menores e até tentativas de controlar narrativas em redes sociais.
Relatos indicam que o vídeo teria sido filmado por um morador local, que depois o partilhou sem imaginar o impacto que teria. A destruição das imagens foi interpretada por alguns sectores como uma forma de protesto simbólico, enquanto outros acreditam tratar-se apenas de crianças a imitarem comportamentos vistos entre adultos, sem consciência do significado político.
A recolha das crianças gerou indignação entre activistas, organizações juvenis e utilizadores de redes sociais, que apelam para uma abordagem mais pedagógica e menos repressiva. Muitas críticas apontam para a falta de prioridade em casos verdadeiramente graves envolvendo menores, contrastando com a rapidez demonstrada pelas autoridades neste caso particular.
Entretanto, líderes comunitários defendem que a intenção nunca foi punir, mas sim esclarecer quem está por detrás da gravação, temendo que alguém esteja a usar crianças como instrumento político num momento em que o clima nacional continua carregado de tensões.
O caso continua a desenvolver-se e promete alimentar debates sobre infância, política e liberdade em Moçambique. O país aguarda agora um esclarecimento oficial que traga luz sobre o paradeiro das crianças, as razões da intervenção e se haverá responsabilização dos adultos envolvidos.
Uma coisa é certa: o vídeo reacendeu discussões profundas sobre até onde vai o direito à expressão num contexto em que até as brincadeiras infantis podem tornar-se um fenómeno nacional.

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